O QUE É IMO?

IMO

Supercrescimento Metanogênico Intestinal (IMO)

Provavelmente você já ouviu falar da SIBO; inclusive, se não conhece o tema, te convido a ler o nosso artigo sobre SIBO: https://saudeemplano.com/o-que-e-a-sibo/

IMO


Mas, e a IMO, você já conhecia?
Na verdade, antes a SIBO englobava a IMO, mas atualmente, por questões etiológicas, clínicas e de tratamento, hoje são patologias distintas, apesar de relacionadas.

1. Mas, o que é a IMO?


É o Supercrescimento Metanogênico Intestinal. Ao contrário da SIBO, a IMO não se restringe ao intestino delgado, mas também afeta o intestino grosso.
Os microrganismos envolvidos não são bactérias produtoras de hidrogênio. São microrganismos chamados arqueias, produtoras de gás metano.
As duas doenças intestinais podem coexistir e, inclusive, neste caso de coexistência, haverá uma relação de dependência.
As bactérias produtoras de hidrogênio servem de apoio para as arqueias metanogênicas, já que estas utilizam o hidrogênio daquelas para produzir metano.

2. Quais as causas para desenvolver IMO?


Assim como na SIBO, a hipocloridria e cirurgias intestinais que causam bridas e aderências são causas bem comuns do supercrescimento de bactérias e arqueias.
Entretanto, existem algumas causas que são específicas para o desenvolvimento da IMO. Uma delas é a redução da função do Complexo Motor Migratório (CMM).
O CMM é um mecanismo de varredura dos restos de comida digeridos do intestino delgado para o cólon. Quando este sistema falha, os resíduos se acumulam e servem de alimentação e proliferação de microrganismos.

3. Por que o CMM pode falhar?


O Complexo Motor Migratório pode falhar por estresse crônico, hipotireoidismo, diabetes, causas autoimunes, etc.
Este maravilhoso sistema, desenhado por Deus para realizar uma limpeza nos 90 a 120 minutos pós-refeições no estômago e intestino delgado, pode ser afetado por inúmeros motivos que vale a pena conhecer.
Como o rol é extenso, elaboramos um artigo completo sobre o Complexo Motor Migratório.

Fonte: Acervo Saúde em Plano

4. Quais são os principais sintomas da IMO?


Dentre os principais sintomas da IMO estão:

  • Constipação;
  • Gases com odor fétido e excesso de arrotos;
  • Dor ou desconforto abdominal;
  • Inchaço abdominal;
  • Sensação de plenitude após as refeições;
  • Refluxo gastroesofágico; e
  • Gastrite.

Como já mencionamos, a IMO pode coexistir com a SIBO, por isso os sintomas, neste caso, podem variar.
A constipação crônica é marcante na IMO; entretanto, se as bactérias produtoras de hidrogênio também estão envolvidas, os sintomas podem alternar entre constipação e diarreia.

5. Como é realizado o diagnóstico da IMO?


O exame de escolha é o Teste Respiratório de Hidrogênio e Metano. Consiste em um aparelho com medição dupla para os dois gases: hidrogênio e metano.
Existe um preparo dietético específico para a realização deste exame. O paciente soprará no aparelho pela primeira vez em jejum; logo após, receberá uma bebida à base de carboidrato, lactose ou glicose, soprando novamente no aparelho.
O paciente repetirá o sopro a cada 15 ou 20 minutos pelo prazo total de 2 a 3 horas. Os picos de gás são monitorados pelo exame, que dará o resultado positivo ou negativo para IMO (gás metano) e/ou SIBO (gás hidrogênio).

Fonte: Acervo Saúde em Plano

6. Qual é o tratamento para a IMO?


O tratamento para IMO consiste em antibioticoterapia dupla. Estudos revelam que, diferentemente da SIBO, no tratamento da IMO são necessárias duas classes antibióticas; geralmente são usadas em conjunto a rifaximina e a neomicina.


Além do tratamento antibiótico, é fundamental adotar uma dieta baixa em carboidratos fermentáveis (Low FODMAPs).


Uma alternativa é a dieta elementar. Trata-se de uma dieta líquida, pré-digerida, com todos os nutrientes necessários, por algumas semanas. Entretanto, é uma dieta difícil de seguir, que depende de acompanhamento e pode ter alto custo.


Alguns médicos adotam tratamentos fitoterápicos com bons resultados. Assim como no uso de antibióticos, para o tratamento adequado da IMO é necessária a junção de mais de um princípio ativo.


A berberina usada na SIBO pode também servir de tratamento para a IMO, desde que combinada com outro fitoterápico, a exemplo do óleo de orégano, que é um potente agente de amplo espectro.
Em qualquer dos dois tratamentos de escolha, seja convencional (antibiótico) ou fitoterápico (berberina, óleo de orégano, etc.), é imprescindível o acompanhamento por profissional médico.

Fonte: Acervo Saúde em Plano

7. A IMO pode voltar depois do tratamento?


Infelizmente, sim! Tanto a IMO quanto a SIBO podem voltar depois do tratamento, especialmente se não houve uma resolução da origem do desequilíbrio intestinal.


Atentar-se para a origem do problema é crucial para que a doença não retorne após o tratamento.
É muito comum que a IMO esteja associada a uma “lentidão” nos movimentos do intestino. Como já mencionado, o comprometimento do CMM.


Para o melhor funcionamento do CMM também existem fitoterápicos, como o gengibre, por exemplo, que podem ajudar na motilidade intestinal. O uso de procinéticos também pode ser associado ao tratamento, especialmente se o paciente sofre de constipação.

8. A IMO não tratada, pode se converter em uma doença mais grave?


As consequências serão a nível nutricional, metabólico e cerebral.

A) Nutricionais:
A convivência com estes microrganismos de forma crônica no intestino implica em deficiências de vitaminas como as do complexo B, especialmente a B12, o que abarca sintomas neurológicos significativos.


O paciente crônico também cursará com anemia, já que a absorção de ferro também estará comprometida.


As vitaminas lipossolúveis, como as vitaminas A, D, E e K, sofrerão depleção. Enfim, uma desnutrição oculta e silenciosa com sérias consequências futuras.

B) Gastrointestinais:
O paciente crônico sofre um agravamento dos sintomas gastrointestinais.

O gás metano atua sobre o CMM, gerando uma lentidão e, logo, uma paralisação neuromuscular. O paciente perde os movimentos naturais e tão importantes para o intestino.


Esta paralização a longo prazo evolui para quadros severos de impactação fecal, situação na qual o paciente necessitará do uso frequente de laxantes para a evacuação.


Além disso, o esforço crônico e prolongado para evacuar é causa frequente de doenças hemorroidárias e divertículos.

C) Sistêmicas:
A inflamação constante da mucosa intestinal compromete a barreira de proteção, gerando o famoso “Leaky Gut” (espaços entre as células intestinais), permitindo a passagem de elementos, substâncias, toxicidade e até bactérias na corrente sanguínea.


Desta forma, o indivíduo passa a cursar de forma crônica uma inflamação sistêmica de baixo grau.
A conexão sistêmica e o eixo intestino-cérebro revelam o impacto da IMO não tratada (crônica) na saúde mental. Sintomas como névoa mental, fadiga crônica e transtornos de humor são comuns.

D) Metabólicas:
Estudos mostram que a alta produção de metano está associada à resistência à insulina.
A atividade das arqueias também altera os ácidos biliares, responsáveis por digerir as gorduras; ou seja, é possível que a IMO cronificada cause uma desregulação dos níveis de colesterol sanguíneo.

Fonte: Acervo Saúde em Plano

CONCLUSÃO


O supercrescimento metanogênico é provocado por seres unicelulares, as arqueias. Não afeta somente o intestino delgado, como ocorre na SIBO.


Tais microrganismos, que não são bactérias, fabricam gás metano, o que gera o sintoma típico de constipação, além de outros sintomas associados à afetação dos movimentos intestinais normais.


As causas mais comuns da IMO, tal como ocorre na SIBO, são: hipocloridria e cirurgias gastrointestinais.
O diagnóstico é realizado com base na clínica do paciente e confirmado pelo Teste Respiratório dos gases hidrogênio e metano.


Uma vez diagnosticado o paciente, o tratamento é por meio de antibioticoterapia combinada.
A causa-base do supercrescimento precisa ser investigada para que a doença não volte após o tratamento.


A resolução da IMO é muito importante, já que as consequências da cronificação do quadro são deletérias.

Todas as informações contidas neste artigo são meramente informativas. Caso você apresente os sintomas, ou alguns dos sintomas elencados no item 4, é de extrema importância buscar a ajuda de um profissional médico para elucidar a sua dúvida.

Se você está em dúvidas sobre se seus sintomas são compatíveis como a IMO ou com a SIBO, te aconselho dar uma olhadinha neste artigo sobre SIBO: https://saudeemplano.com/o-que-e-a-sibo/

FOTO PESSOAL

Sou uma eterna estudante e curiosa da saúde. Me formei e trabalhei como advogada durante anos, mas, na terceira década de vida, dei uma virada de 180 graus e me lancei de cabeça em uma antiga paixão: a medicina. Atualmente, sou médica clínica formada em Buenos Aires, Argentina. Criei este blog para compartilhar assuntos de saúde, e o mais maravilhoso disso é que, toda vez que preparo um tema, sou eu quem termina aprendendo ou reaprendendo algo novo. Sejam muito bem-vindos!

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