O QUE É A SIBO?
A SÍNDROME DE SUPERCRESCIMENTO BACTERIANO
Entenda a SIBO
A sigla SIBO significa Síndrome de Supercrescimento Bacteriano do Intestino delgado ou em inglês para Small Intestine Bacterial Overgrowth. O intestino delgado é uma parte do intestino que possui uma quantidade reduzida de bactérias, diferente do intestino grosso ou cólon, onde normalmente habitam estes microrganismos que formam a nossa microbiota.
Quando as bactérias do cólon migram para o intestino delgado, elas fermentam, o que gera todo o quadro clínico de sintomas intestinais e gástricos que caracteriza a SIBO.
Por que acontece?
Existem vários motivos pelos quais uma pessoa pode sofrer de supercrescimento bacteriano (SIBO). Pode acontecer por hipocloridria, que é a baixa acidez do estômago, ocasionada principalmente pelo uso de inibidores da bomba de prótons, a famosa família dos omeprazóis (omeprazol, pantoprazol, esomeprazol etc.).
Por outro lado, a partir dos 40 anos de idade, fisiologicamente, o ácido gástrico diminui; isso se soma a hábitos alimentares não saudáveis (produtos industrializados cheios de açúcar – alimentação perfeita para estas bactérias invasoras do delgado).
O sedentarismo e o estresse crônico também são condições que contribuem para o desenvolvimento da SIBO.
Histórico de cirurgias abdominais pode ter gerado aderências no intestino, comprometendo o peristaltismo (que nada mais é do que os movimentos intestinais normais do aparelho digestivo).
Outras afecções, como as doenças inflamatórias intestinais (colite ulcerativa, doença de Crohn, síndrome do intestino irritável), endometriose intestinal, obesidade, resistência insulínica, diabetes mellitus tipo 2, hipotireoidismo e insuficiência pancreática exócrina etc., podem predispor ao supercrescimento de bactérias.
Quais são os principais sintomas da SIBO?
- Inchaço abdominal, especialmente no final do dia e nas primeiras horas da madrugada;
- Gases intestinais e arrotos constantes;
- Sensação de plenitude estomacal;
- Desconforto abdominal;
- Dores abdominais;
- Queimação estomacal;
- Refluxo gastroesofágico;
- Diarreia ou constipação;
- Intolerâncias alimentares (alguns alimentos pioram os sintomas) etc.
Em casos mais severos, associados ao sistema nervoso central, devido o ligação entre ele, o eixo intestino-cérebro:
- Deficiências nutricionais, gerando, por exemplo, fadiga;
- Dificuldade de concentração;
- Insônia;
- Névoa mental;
- Ansiedade;
- Mudanças de humor etc.
Como é feito o diagnóstico da SIBO?
Como estas bactérias fermentam e geram gases de forma exagerada (patológica), o meio diagnóstico consiste na medição destes gases, que geralmente são gases de hidrogênio, embora não haja um consenso sobre isso e não seja o único exame útil na investigação médica.
É possível também que os gases sejam de metano; neste caso, estamos diante de outra patologia associada e muito parecida, chamada IMO – Supercrescimento Metanogênico Intestinal (Intestinal Methanogen Overgrowth).

O método diagnóstico se chama Teste Respiratório do Hidrogênio, no qual o paciente sopra e tem a medida (ou seja, a quantidade) de gás. Se os valores forem além do normalmente esperado, estamos diante de um exame positivo para a SIBO.
Como é realizado o tratamento do paciente com SIBO?
O tratamento consiste em antibiótico específico para a erradicação das bactérias que estão no intestino delgado e o “desalojamento das invasoras”. O antibiótico utilizado é a rifaximina, muitas vezes por ciclos, a depender da condição do paciente.
Além da antibioticoterapia, durante o período de tratamento é necessário adotar uma dieta com alimentos não fermentáveis ou com pouca fermentação; a chamada dieta Low-FODMAPs. Esta dieta é uma estratégia para debilitar as bactérias que se alimentam deste tipo de carboidrato.
Importante salientar que a dieta Low-FODMAPs não deve ser adotada como um hábito alimentar definitivo. Muitas pessoas experimentam melhora considerável com a dieta e passam a substituir o tratamento adequado por ela.
O propósito da dieta é debilitar as bactérias por falta de substrato, por isso sua duração se restringe ao tratamento, podendo ser incorporado outro período, logo após o tratamento, para a readaptação e inclusão dos alimentos fermentáveis de forma gradual e segura.
A ideia do tratamento é que, por um lado, as bactérias “passarão fome” pelo pouco consumo de fermentáveis.

Por outro lado, elas são exterminadas mediante o antibiótico. É um tratamento estratégico, que deve sempre ser acompanhado pelo seu médico.
Atualmente, a medicina funcional integrativa tem incorporado muitos fitoterápicos com capacidade antimicrobiana no tratamento da SIBO, com excelentes resultados. Existem estudos científicos consistentes neste sentido. Um dos princípios ativos em destaque é a berberina, que, segundo investigações recentes, pode ser mais efetiva que o antibiótico.
O tratamento pode ser difícil?
Sim, o tratamento pode ser difícil por conta da liberação de toxinas por parte destas bactérias que estão sendo destruídas dentro do intestino. Por conta disso, muitos paciente abandonam o tratamento logo no início. Contudo, não desanime, existem maneiras de mitigar estes efeitos.
Entre os sintomas que você poderá sentir neste processo (die-off) estão:
- Dor de cabeça;
- Náuseas;
- Diarreia ou constipação;
- Inchaço abdominal;
- Fadiga;
- Insônia;
- Dor abdominal.
O que fazer para diminuir os efeitos do tratamento contra a SIBO?
Você poderá conversar com o seu médico a respeito de substâncias como o carvão ativado, que funciona como uma “esponja” que capta as substâncias circulantes no organismo; neste caso, desejamos que capte as toxinas liberadas pelas bactérias no intestino delgado.
Depois de todo o tratamento, a SIBO pode voltar?
Sim, por isso é muito importante saber a causa da SIBO para livrar-se do problema de forma definitiva. Não adianta “tapar a goteira” se você não resolveu o que causa a perda de água, certo?
Seu médico deverá investigar qual é a “causa-raiz”; as mais comuns são: redução na motilidade intestinal e hipocloridria (baixa acidez no estômago). Entretanto, existem outras causas que desencadeiam o supercrescimento bacteriano.
A SIBO pode se converter em uma doença mais grave?
Não, a SIBO não se converte em uma doença mais grave por progressão. Contudo, se negligenciada, pode ser a porta de entrada para outras patologias.
Imagine que o seu corpo é formado por sistemas, como a estrutura de um relógio com suas engrenagens: se uma pecinha falha, pouco a pouco poderá comprometer a função de todo o relógio.
Se a inflamação ocasionada pela SIBO não é resolvida, ela passará a gerar um desgaste no intestino que logo afetará outros órgãos como o fígado, pâncreas e, especialmente, o cérebro. Neste ponto, vale a pena conhecer um pouquinho sobre a relação da microbiota com o eixo intestino-cérebro.
Não é à toa que a SIBO foi associada a diversas patologias como fibromialgia, Parkinson, síndrome do intestino irritável, rosácea, pancreatite crônica, encefalopatia hepática etc.

Conclusão
O SIBO é uma síndrome ocasionada pela presença anormal de bactérias no intestino delgado. É uma condição que traz múltiplos sintomas oriundos da fermentação pelas bactérias produtoras de hidrogênio, por isso o exame de eleição é o teste do hidrogênio expirado, sempre levando em conta a história clínica de cada paciente e suas particularidades.
Uma vez diagnosticado, o paciente deve adotar uma dieta baixa em alimentos fermentáveis (Low-FODMAPs) e iniciar o tratamento farmacológico com rifaximina, sob supervisão médica, para a erradicação destas bactérias invasoras.
Como o tratamento medicamentoso pode gerar um agravamento dos sintomas por conta da morte massiva dos microrganismos, que liberam muitas toxinas, é interessante adotar ativos que funcionam como esponja, captando estes resíduos tóxicos do organismo e reduzindo os desconfortos.
Outra medida importante é reconhecer a origem da SIBO e “cortar o mal pela raiz” para que os episódios não voltem depois do tratamento.
E, por fim, não normalizar a condição de desconforto e distensão abdominal e buscar atendimento médico para começar o tratamento e recuperar sua qualidade de vida.

Publicar comentário